
O Go Skateboarding Day é uma data que ocorre normalmente no dia 21 de Junho. O nome é um trocadilho com as placas que dizem “No Skateboarding” (em inglês, Proibido Andar de Skate). O feriado não-oficial foi criado pela International Association of Skateboard Companies (IASC) para tornar a prática do skate mais acessível para o mundo, com diversos eventos que ocorrem em várias cidades ao redor do mundo. A data é celebrada desde 2004 e é reconhecida até mesmo pelo Congresso Americano, graças à congressista Loretta Sanchez.
Porém, críticos afirmam que a data é puro marketing e foi criada apenas com o intuito de estimular a venda de produtos relacionados. O site No Skateboarding Day observa que a data é puramente comercial, e seu autor não vê sentido em escolher em criar um feriado específico para o skate, dizendo que ele deve ser praticado todos os dias do ano, não apenas numa data estipulada pela Indústria. Comercial ou não, o dia serve como desculpa para pegar o skate e sair à rua.
Para Iuri Albuquerque, skatista e advogado, o Dia Mundial do Skate se comemora divertindo-se com os amigos, andando de skate, lembrando que todo dia é dia de andar de “carrinho”. Frederico Lima, skatista e empresário, lembra da música “Summer Time”, do Sublime, como trilha sonora ideal para a data marcada pela diversão. Afinal de contas, a data também representa o início do verão norte-americano.

Ao contrário do que ocorre nos Estados Unidos, a data foi o começo do inverno no Brasil. Em Porto Alegre, skatistas e simpatizantes do esporte se reuniram no último domingo, dia 21, num tradicional ponto turístico da cidade: a Usina do Gasômetro. O público começou a se agrupar cerca de 13h, convocando todos os presentes a se juntarem na barraca, onde eram distribuídos brindes como camisetas oficiais do evento, adesivos e revistas. Todos os participante eram convidados a se cadastrarem, para concorrer a um kit com peças de skate e vale-compras nas lojas conveniadas.
A caminhada, ou melhor, “skateada”, com destino à pista do Parque Marinha do Brasil teve a largada às 15h. No comando estava André Orrigo, empresário da Dagringa Distribuidora, com o seu megafone, animando a passeata. Os mais de 100 participantes percorreram a distância de aproximadamente 3 km da Usina até o Marinha andando nos seus respectivos skates, fazendo barulho e convocando as pessoas que passavam pelo calçadão Por-do-Sol.

Chegando no destino, a movimentação já era intensa. Outra centena de skatistas estava presente. A ideia da comemoração não tinha a intenção de competitividade. Não houve nenhum torneio, apenas foi reforçado o jargão just for fun. O evento não tinha hora para terminar, dependendo somente do tempo (ameaçou chover no dia) e da luz natural. E, de fato, só acabou quando escureceu, depois de muitas manobras, diversão e altas doses de energético, que foi distribuído gratuitamente.
O GSD foi importante para mostrar à população que existe uma cena local muito forte de skatistas, de todas as idades e estilos. Para o anfitrião André Orrigo, “essa união ajudou a reforçar a imagem de uma prática que não é apenas um esporte, mas um estilo de vida”.
Para mais fotos, acesse o site Skatismo ou Skatearte.
Conflitos com a lei
Um incidente com a lei no Go Skateboarding Day que aconteceu com os skatistas Ian Baird, Shakur Robinson, Nick Keys e outros amigos na cidade de Hot Springs, Arkansas virou notícia. De acordo com os skatistas, o oficial de polícia Joey Williams fez uso de força excessiva ao prende-los por terem violado uma ordenação da cidade que proibia a prática do skate na rua. Um vídeo do ocorrido foi postado no YouTube e chamou a atenção do país inteiro. Segundo o skatista Matt McCormack, o policial estava sufocando uma garota de 13 anos, que andava junto com eles.
O vídeo iniciou uma série de telefonemas e e-mails para a polícia local, em repúdio ao ato. Skatistas e usuários da internet começaram a postar o vídeo em blogs, MySpace e Facebook, chamando o incidente de um exemplo de brutalidade policial e incentivando outras pessoas a lotar o Departamento de Polícia com ligações.
“Estamos recebendo tantas chamadas que as pessoas com problemas não conseguem linha. A linha administrativa está lotada. São todos jovens. Alguns ligam e querem registrar uma queixa, mas alguns ligam e nos xingam”, disse o oficial local Clifford McNeely para a ABC News. Críticos afirmam que o vídeo foi editado para mostrar os skatistas como vítimas.
Para John Bernard, diretor-executivo da IASC, o preconceito contra skatistas pode ter sido um fator nas prisões. “Skatistas sofrem discriminação. A polícia não pode esperar para entregar uma multa de US$ 30 a 300 para a garotada. Uma de minhas missões é me encontrar com departamentos de polícia e educa-los sobre o esporte. Andar de skate não é um crime. Bom, a não ser que você viva no Arkansas”.
No fim das contas, o policial foi absolvido das acusações de força excessiva, mas teve que ser orientado, pois deixou um suspeito algemado para trás ao perseguir outro. Quanto aos skatistas Skylar Nalls e Matt McCormack, autor do vídeo, tiveram de pagar multas de US$85 e US$210, respectivamente, e prestar serviço comunitário.
Assista o vídeo abaixo e tire suas próprias conclusões:
Fotos: Ramiro Furquim/Outro Ângulo









